Tenho pesquisado muito sobre o processo de inclusão e como ela pode acontecer de forma que contribua positivamente na vida de todas as crianças. Conviver com a diversidade humana de forma respoitosa e solidária não deve ser tão difícil assim. Nessa busca, fui presenteada por uma colega do grupo son-rise que dividiu conosco um vídeo que ilustra bem o comprometimento de uma escola em realmente incluir envolvendo todos neste processo. Famílias, crianças, educadores com o propósito de melhorar a qualidade de vida de um garotinho chamado Artur.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Aos educadores, que nunca desperdicem os sucos de suas laranjas...
Mariana era louca por laranjas. Não qualquer laranja, era louca por laranja pera. Era tão fanática que costumava comprar no atacado. Toda semana ía ao Ceasa e comprava um saco de laranja pera. Delas fazia suco, saladas de frutas de uma fruta só, as chupava puras. Fazia doces, bolos e tortas. Nem sempre todas as laranjas vinham perfeitas, algumas chegavam mais secas, outras um pouco amassadas. Mesmo assim Mariana aproveitava todas, de uma forma ou de outra. Até o dia em que, no meio do seu saco de laranjas pera veio um exemplar de laranja bahia. Para muitos seria apenas mais uma laranja, não para Mariana que ficou perplexa e confusa com um tipo de laranja diferente. A casca era mais fina, o tamanho maior, o suco com teores diferentes de açúcar e de ácido cítrico.Ela não estava preparada para isso. Não sabia nem por onde começar. Fez uma busca na Internet sobre a tal da laranja estranha. Só encontrou informações sobre os aspectos fenotípicos do citro. Isso não ajudava. Começou a ligar para amigas. O máximo que descobriu foi que essas laranjas não tinham sementes. Pior foi ter de ouvir da melhor amiga que era uma laranja, e laranjas são laranjas. Que diferença isso ia fazer? Concluiu que não teria outra alternativa a não ser partir em busca de especialistas. Como iria descascar aquela pele mais fina? Se eram mais doces, como procederia no açúcar da sua famosa compota de laranja? Os gomos maiores não enroscariam no seu processador? Descobriu várias pessoas que se dedicavam ao estudo e manuseio de laranjas bahia. Uma mulher que era descascologista, com doutorado em bahias. Um agrônomo que tratava de distúrbios de desenvolvimento de citros e até um chef compoteiro que tinha uma instituição dedicada ao desenvolvimento da tal laranja. Pensou em mandar seu exemplar de laranja bahia para um desses especialistas. Mariana, no entanto, era uma mulher persistente, não poderia admitir que tinha sido derrubada por uma laranja. Matriculou-se num curso à distância, de capacitação em laranjas. Na primeira aula descobriu que a bahia era só uma das dezenas de espécies de citrus sinensis: Lima, Westin , Rubi, Valencia, Hamlim e Kinkan. O curso não lhe ensinou o que fazer com as diferentes laranjas, mas abriu seus olhos para todo um mundo diverso do que ela conhecia. Também contatou que só com prática de uso de tanta variedade é que ela descobriria como tirar o melhor de cada um dos tipos. Não perdeu seu amor antigo pela laranja pera, mas descobriu que a vida era muito mais interessante quando as laranjas se misturavam. Era possível fazer sucos usando combinações de frutos mais ácidos com outros mais doces e, até mesmo enriquecer seu bolo de laranja com calda de uma laranja diferente. Empolgadas partiu para o estudo de tangerinas, depois limões e até mesmo grapefruit. E, assim como fazia com a laranja pera, Mariana nunca desperdiçou nenhum dos seus cítricos. Uma verdadeira mestra.
Fonte: http://www.rac.com.br/blog/17492/32/katia-fonseca/homenagem-ao-dia-intrnacional-da-sindrome-de-down-4
Crianças Autistas se Desenvolvem Através da Ginástica Artística
Professor de educação física dedica seu trabalho em ajudar crianças autistas na superação de suas dificuldades. É através da ginastica que ele se faz essencial para a evolução destas crianças.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Arte Cooperada - Cores primárias e secundárias
ObjetivoEsta atividade tem o objetivo de proporcionar a socialização, interação e a aprendizagem referente às cores primárias e secundárias através de uma técnica de pintura realizada com a cooperação do colega e exploração das misturas das cores.
Consiste numa troca de conhecimentos em grupo e uma manipulação com material realizada em dupla utilizando as cores primárias, onde os componentes precisam manipular o material de forma cooperada para que a arte aconteça e as cores se misturem.
1. Proporcionar interação e socialização;
2. Estimular a criatividade;
3. Trabalhar de forma cooperada;
4. Respeitar individualidades dos colegas;
5. Aprender a posicionar-se diante do outro;
6. Reconhecer as cores primárias;
7. Reconhecer as cores secundárias e como elas ocorrem;
8. Identificar as cores existentes no mundo
Materiais
Será utilizado:
Será utilizado:
- Tampa de caixa de papelão
- Tinta têmpera (cores primárias)
- Bolinhas de gude
- Papéis em branco
- Objetos para serem explorados
- Bolinhas de gude
- Papéis em branco
- Objetos para serem explorados
Procedimentos
1. Formam-se grupos.
2. Cada grupo receberá uma folha em branco e a tinta referente a uma cor primária.
3. Pedir a criança que identifique outros objetos correspondente a esta cor e também a sua letra inicial.
4. Ajudar a criança a associar iniciais de nomes de colegas com esta letra.
1. Formam-se grupos.
2. Cada grupo receberá uma folha em branco e a tinta referente a uma cor primária.
3. Pedir a criança que identifique outros objetos correspondente a esta cor e também a sua letra inicial.
4. Ajudar a criança a associar iniciais de nomes de colegas com esta letra.
5. Realizar a atividade com a tampa da caixa de papelão. Formam-se duplas e derrama-se uma porção de duas tintas que formam uma segunda cor (azul e amarelo) em determinados pontos da caixa, em seguida coloca-se de 3 à 5 bolinhas de gude sobre a tampa e pede para que a dupla manipule. A manipulação deve ocorrer de forma cooperada.
6. Pedir o que as crianças observaram.
7. Questionar as crianças se existem outras cores além das que foram fornecidas para atividade.
8. Identificar as cores secundárias e como elas ocorreram.
9. Identificar objetos que correspondem as cores secundárias e as suas letras inicias.
10. Identificar as iniciais dos nomes dos colegas que representem a esta letra.
11. Identificar as letras iniciais que repetem nas cores.
12. Realizar a mistura das cores nas folhas em branco.
AVALIAÇÃO:
Misturar os objetos e identificar as cores respondendo se são primárias ou secundárias e suas letras iniciais.
(À partir de 4 anos)
6. Pedir o que as crianças observaram.
7. Questionar as crianças se existem outras cores além das que foram fornecidas para atividade.
8. Identificar as cores secundárias e como elas ocorreram.
9. Identificar objetos que correspondem as cores secundárias e as suas letras inicias.
10. Identificar as iniciais dos nomes dos colegas que representem a esta letra.
11. Identificar as letras iniciais que repetem nas cores.
12. Realizar a mistura das cores nas folhas em branco.
AVALIAÇÃO:
Misturar os objetos e identificar as cores respondendo se são primárias ou secundárias e suas letras iniciais.
(À partir de 4 anos)
Dificuldade de organizar a fila? Uma musiquinha pode ajudar!
É possível organizar uma fila de forma muito divertida! A música pode ajudar a criança se posicionar de forma bem natural, além de cobrar dos próprios colegas a organização.. Vale a pena tentar!
(No ritmo de ciranda cirandinha)
Uma fila alinhadinha
É o que iremos formar.
Vamos um atrás do outro,
Não precisa empurrar.
Pequeno Príncipe: a raposa seria autista?
Em uma palestra sobre Autismo em São Paulo, uma francesa citou O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry. Capítulo XXI.
Neste capítulo o principezinho propõe a uma raposa que brinque com ele porque ele estava triste. Ela responde:
"... - Eu não posso brincar contigo. Não me cativaram ainda.
- O que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa, significa criar laços.
...
- O que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas cada dia te sentarás mais perto..."
Quem tem um filhinho autista lembrou de alguém?
Tem mais:
" No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então ficarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade. Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? Perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora das outras horas..."
Será que a raposa do livro é autista?
Ou será que somente a raposa e os autistas lembram das coisas que já estão muito esquecidas?
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Ensinar Limites
A insegurança que alguns pais sentem na hora de colocar limites podem fazer com que não tomem nenhuma atitude quando a ocasião exige e isso pode causar em seus filhos sentimentos de abandono e desamparo.
Porém, para algumas crianças é extremamente difícil abrir mão de suas vontades e enxergar que vivemos em uma sociedade que nos exige cumprir regras.
Um dos recursos muito utilizados para a criança que não estabelece relações entre uma coisa e outra e não aceita limites é o quebra-cabeça. Com ele, é possível fazer relações de causa/efeito, tempo/espaço, análise/síntese, como também aceitação de modelo e submissão ao limite externo.Também podemos trabalhar o raciocínio, a memória e a atenção. É possível tornar a atividade ainda mais prazerosa utilizando imagens próprias como fotografias de passeios, da família e até mesmo com mensagens de regras e bom comportamento.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Carta a minha primeira Professora
Não é apenas o caminho pelo qual todas profissões passam, o professor é o caminho por onde passam todos os sentimentos, diferentes histórias e onde se contribui para a formação de um cidadão. A sua importância para alguns é o caminho pelo conhecimento, mas para outros, é muito mais que isso, a sua interação torna-se essencial nos sentidos mais amplos que um indivíduo pode necessitar. E para demonstrar o quanto um professor é importante para uma criança em desenvolvimento e a contribuição desta para toda a família, segue como exemplo a carta a minha primeira professora de uma criança com transtorno invasivo do desenvolvimento, mas isso pode ser adaptado a qualquer caso ou situação, envolvendo o profissional com a história da criança e melhorando o processo de aprendizagem.
Carta a minha primeira Professora
Querida professora
Sou um menino de 4 anos e passei por um longo processo até chegar a esta escolinha. Por enquanto, possuo necessidades especiais porque não consigo me comunicar e todos os exames que fiz constam que conseguirei diante de um processo de estímulo, convívio social e muito apoio dos que me cercam.
Até 1 ano e 8 meses me desenvolvi como qualquer outra criança. Ergui a cabeça, parei sentadinho, engatinhei e comecei a andar no tempo certinho. Sorria para minha mamãe, papai e minha irmãzinha. Explorava meu mundo, meus brinquedos e adorava passear. Mas, nesta mesma idade passei a me isolar, não participava mais como antes das brincadeiras, parei de olhar para as pessoas até mesmo quando me chamavam pelo nome e nem mesmo meus brinquedos continuavam atraentes. Meu caminhar passou a ser nas pontas dos pés.
Observando isso, minha mãe passou a me levar em diversos especialistas, que lhe acalmavam dizendo estar tudo bem, que era meu jeito e meu tempo.
Minha mãe passou a estudar por conta própria e preparar estímulos que me trouxesse progresso. Ela optou por não me colocar numa escolinha, justamente pela perda do contato ocular. Decidiu que trabalharia um pouco comigo antes de procurar a “pessoa-chave”.
Foram inúmeras atividades, quase todas eram como se nem estivessem sendo feitas porque eu não participava de nenhuma forma, ou seja, sem interagir, sem observar, sem demonstrar satisafação ou insatisfação.
Quando voltei a olhar para minha mãe, foi no momento em que ela fazia bolinhas de sabão para mim, ela estava distraída e parou por um instante, então a olhei nos olhos e conduzi sua mão para que continuasse. Foi um momento muito emocionante para nós, pois apartir daí passei a interagir com todos novamente, porém da minha forma, pois o meu lado comunicativo continua comprometido.
Embora não houvesse suspeita, mas para descartar a possibilidade de uma perda de visão, que poderia também interferir na comunicação, fui levado a uma oculista especializada em crianças e também pessoas especiais. Ela percebeu perfeita visão e disse que eu tinha uma interação muito boa, que minha mãe deveria procurar com cautela a pessoa e a Instituição que me receber, porque enxergava muito potencial em mim.
Assim, começaram novas buscas por respostas e várias visitas em escolas e escolinhas…
Viajamos muito à Porto Alegre, gastamos o que não tínhamos em buscas de respostas com inúmeras avaliações e lá me diagnosticaram com DEL (Distúrbio Específico da Linguagem) porque não estou fechado no meu mundo, embora mal me comunique.
Nesse momento, quando fíz uma ressonância, fiquei entubado e isso me fez sentir medo quando visse alguém de branco. Uma vez fiquei doente e fui interpretado como mal educado não recebendo atendimento do doutor, porque chorei e gritei muito.
Já superei muitos obstáculos, mas meu maior desafio é a interação social. Gosto de estar com as pessoas, porém não sei como agir.
Meu desenvolvimento é aleatório, algumas coisas consigo fazer e compreender e outras ainda não atingi maturação. Preciso da tua compreensão, preciso da tua ajuda.
Tenho sensibilidade ao som, que por vezes posso sentir 100 vezes maior do que a senhora sente, por isso gritos, ruídos e som alto podem me trazer desconforto ou até mesmo dor. Ambientes barulhentos, sinto-me confortável após perceber que é seguro, mas antes disto fico assustado. Alguns objetos ainda tento reconhecer com a boca (fase oral), não consigo diferenciar o que pode ser perigoso ou nojento.
Além da fala, minha imaginação está prejudicada. O ato de apontar está associado a imaginação pois é preciso imaginar um caminho até chegar aonde o dedo leva, ainda não consigo apontar e nem mesmo olhar para onde foi apontado. Minha mamãe tem me ensinado através de distâncias curtas, na maioria das vezes consigo fazer esse caminho imaginário, mas quando a distância é longa, não.
Estou escrevendo toda a minha história, para que a senhora, minha primeira professora, consiga me entender melhor. Por alguma razão, meus pais optaram por você ser a minha “pessoa- chave”, a sua compreensão pode resultar num grande avanço na minha vida, que carregarei para sempre comigo. As minhas primeiras noções do mundo social, serão conduzidas pelas suas mãos, por isso és sim, uma “pessoa-chave”na minha vida.
"A inclusão escolar começa na alma do professor, contagia seus sonhos e amplia seus ideais. A utopia pode ter muitos defeitos, mas pelo menos, uma virtude tem: ela nos faz caminhar." Eugênio Cunha - Autismo e Inclusão - Psicopedagogia e práticas educativas na escola e na família”.
Sou um menino de 4 anos e passei por um longo processo até chegar a esta escolinha. Por enquanto, possuo necessidades especiais porque não consigo me comunicar e todos os exames que fiz constam que conseguirei diante de um processo de estímulo, convívio social e muito apoio dos que me cercam.
Até 1 ano e 8 meses me desenvolvi como qualquer outra criança. Ergui a cabeça, parei sentadinho, engatinhei e comecei a andar no tempo certinho. Sorria para minha mamãe, papai e minha irmãzinha. Explorava meu mundo, meus brinquedos e adorava passear. Mas, nesta mesma idade passei a me isolar, não participava mais como antes das brincadeiras, parei de olhar para as pessoas até mesmo quando me chamavam pelo nome e nem mesmo meus brinquedos continuavam atraentes. Meu caminhar passou a ser nas pontas dos pés.
Observando isso, minha mãe passou a me levar em diversos especialistas, que lhe acalmavam dizendo estar tudo bem, que era meu jeito e meu tempo.
Minha mãe passou a estudar por conta própria e preparar estímulos que me trouxesse progresso. Ela optou por não me colocar numa escolinha, justamente pela perda do contato ocular. Decidiu que trabalharia um pouco comigo antes de procurar a “pessoa-chave”.
Foram inúmeras atividades, quase todas eram como se nem estivessem sendo feitas porque eu não participava de nenhuma forma, ou seja, sem interagir, sem observar, sem demonstrar satisafação ou insatisfação.
Quando voltei a olhar para minha mãe, foi no momento em que ela fazia bolinhas de sabão para mim, ela estava distraída e parou por um instante, então a olhei nos olhos e conduzi sua mão para que continuasse. Foi um momento muito emocionante para nós, pois apartir daí passei a interagir com todos novamente, porém da minha forma, pois o meu lado comunicativo continua comprometido.
Embora não houvesse suspeita, mas para descartar a possibilidade de uma perda de visão, que poderia também interferir na comunicação, fui levado a uma oculista especializada em crianças e também pessoas especiais. Ela percebeu perfeita visão e disse que eu tinha uma interação muito boa, que minha mãe deveria procurar com cautela a pessoa e a Instituição que me receber, porque enxergava muito potencial em mim.
Assim, começaram novas buscas por respostas e várias visitas em escolas e escolinhas…
Viajamos muito à Porto Alegre, gastamos o que não tínhamos em buscas de respostas com inúmeras avaliações e lá me diagnosticaram com DEL (Distúrbio Específico da Linguagem) porque não estou fechado no meu mundo, embora mal me comunique.
Nesse momento, quando fíz uma ressonância, fiquei entubado e isso me fez sentir medo quando visse alguém de branco. Uma vez fiquei doente e fui interpretado como mal educado não recebendo atendimento do doutor, porque chorei e gritei muito.
Já superei muitos obstáculos, mas meu maior desafio é a interação social. Gosto de estar com as pessoas, porém não sei como agir.
Meu desenvolvimento é aleatório, algumas coisas consigo fazer e compreender e outras ainda não atingi maturação. Preciso da tua compreensão, preciso da tua ajuda.
Tenho sensibilidade ao som, que por vezes posso sentir 100 vezes maior do que a senhora sente, por isso gritos, ruídos e som alto podem me trazer desconforto ou até mesmo dor. Ambientes barulhentos, sinto-me confortável após perceber que é seguro, mas antes disto fico assustado. Alguns objetos ainda tento reconhecer com a boca (fase oral), não consigo diferenciar o que pode ser perigoso ou nojento.
Além da fala, minha imaginação está prejudicada. O ato de apontar está associado a imaginação pois é preciso imaginar um caminho até chegar aonde o dedo leva, ainda não consigo apontar e nem mesmo olhar para onde foi apontado. Minha mamãe tem me ensinado através de distâncias curtas, na maioria das vezes consigo fazer esse caminho imaginário, mas quando a distância é longa, não.
Estou escrevendo toda a minha história, para que a senhora, minha primeira professora, consiga me entender melhor. Por alguma razão, meus pais optaram por você ser a minha “pessoa- chave”, a sua compreensão pode resultar num grande avanço na minha vida, que carregarei para sempre comigo. As minhas primeiras noções do mundo social, serão conduzidas pelas suas mãos, por isso és sim, uma “pessoa-chave”na minha vida.
"A inclusão escolar começa na alma do professor, contagia seus sonhos e amplia seus ideais. A utopia pode ter muitos defeitos, mas pelo menos, uma virtude tem: ela nos faz caminhar." Eugênio Cunha - Autismo e Inclusão - Psicopedagogia e práticas educativas na escola e na família”.
“Não devemos permitir que uma só criança fique em sua situação atual sem desenvolvê-la até onde seu funcionamento nos permite descobrir que é capaz de chegar. Os cromossomos não têm a última palavra.” (Reuven Feuerstein)
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