quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pesquisadores de Rio Preto investigam o autismo


Um grupo de pesquisadores da Famerp (Faculdade de Medicina de Rio Preto) quer se aprofundar no assunto e tenta agora identificar fatores que possam avançar no tratamento e dar mais esperança pra quem sofre com a doença.
Dificuldades no relacionamento social, isolamento, um mundo só deles. Esses são alguns sintomas da doença que ainda não tem cura, mas pode ser controlada.
O autismo é mais comum entre os meninos e atinge um em cada grupo de 150 pessoas. Em Rio Preto, a proporção é de quatro meninos para uma menina.
Segundo Agnes Cristina Fett Conte, coordenadora do estudo, cerca de 600 pacientes participam da pesquisa, 300 são portadores da síndrome. A partir da análise do DNA, os pesquisadores querem tentar identificar a origem da doença. 
O desafio será entender se há algum problema na comunicação das células do cérebro dos pacientes que têm autismo e tentar encontrar novos métodos que possam ajudar no tratamento. A pesquisa pode durar até 4 anos.

Motorista nega transporte a aluno com Síndrome de Down

Simplesmente, um absurdo!

Segundo o artigo 208 da Constituição, todos os estudantes têm direito a educação de qualidade e existem algumas garantias asseguradas para que haja o efetivo exercício deste direito, entre elas existe a garantia do transporte escolar. Dessa forma, os alunos possuem direito de ir para suas escolas de maneira segura e sem gastos.
Em Campo Largo, infelizmente, existem problemas com o transporte escolar. Faz cerca de 20 dias que o filho de Jacira Lemes de Souza não frequenta as aulas, porque o motorista se nega a levá-lo para a escola alegando que o menino é muito agitado. O garoto de 10 anos de idade é portador de Síndrome de Down e estuda no CEMAE.
A família já entrou em contato com a Prefeitura e recebeu a informação de que a mãe precisaria levar e buscar o menino todos os dias. Devido ao desrespeito e falta de atitudes do poder público, Jacira e sua irmã, Luzinete, vão entrar com uma ação contra a Prefeitura de Campo Largo alegando discriminação.
A Constituição parece esquecida na cidade e um menino de 10 anos está sendo prejudicado sem poder frequentar a escola. A família pede a colaboração de um advogado que possa auxiliá-los neste processo, para que o direito a educação seja cumprido.

A SÍNDROME DO DOUTOR SPOCK

Na minha humilde opinião e experiência, acredito que pessoas com autismo/Savant, apenas não conseguem corresponder como a maioria das pessoas a seus sentimentos. Mas, são sim muito afetuosos, demonstram muito amor e todos conseguem realizar aprendizagens, embora de formas diferentes e/ou áreas e graus diferentes. Mas a questão de estar fechado em um mundo particular, acredito que não.

Resumo:
Este artigo contém uma exposição dos aspectos principais da síndrome de Asperger, acompanhada de críticas e comentários do autor. A síndrome, tal como é aqui descrita, é uma forma de autismo constituída de duas classes mais relevantes de sintomas: a classe dos déficits de interação social e a classe dos interesses especiais, que se desenvolve como uma forma de compensação desses déficits na economia psíquica da pessoa com essa síndrome
Summary:In this paper the main aspects of the Asperger syndrome are exposed together with the critical comentaries of the author. The syndrome, as exposed here, is a kind of autism constituted by two classes of symptoms: the deficits of social interaction and the class of special interests, which emerges as a form of compensation in the psychical economy of the person with this syndrome.

Todos conhecem o doutor Spock, personagem da série Jornada nas Estrelas. Ele é um ser meio alienígena e meio humano, com dificuldade para harmonizar o seu eu vulcaniano, lógico, com o seu eu emocional, humano. Algo não muito diverso ocorre com as pessoas portadoras de síndrome de Asperger, uma curiosa e complexa insuficiência neurológica identificada pela primeira vez pelo pediatra vienense Hans Asperger, em 1944(1). Ele descreveu casos do que chamou de “psicopatia autística”: crianças que não se relacionavam com as outras e que tinham poucos e obsessivos interesses, sendo capazes de dircursar exaustivamente sobre eles, freqüentemente sem domínio adequado, como se fossem “pequenos professores”.
Embora não haja acordo quanto às estimativas, a síndrome de Asperger ou SA é relativamente incomum. Segundo algumas estatísticas ela ocorre em cerca de 0,3% das pessoas, sendo quatro vezes mais freqüente no sexo masculino (o autismo comum ocorre em cerca de 0,7% das pessoas). Ela só se tornou conhecida fora dos países de língua alemã quando foi denominada “síndrome de Asperger” em 1981 por Lorna Wing, tendo sido oficializada com a publicação da CID-10 e do DSM-IV em 1994.
Hoje geralmente se admite que a SA seja uma interessante forma limítrofe de autismo, uma condição neurológica que parece indistinguível do que tem sido chamado de autismo de alta funcionalidade. Ela se diferencia do autismo típico, de baixa funcionalidade, porque no último o desenvolvimento da linguagem e da inteligência se encontram profundamente comprometidos. Já a linguagem da pessoa com SA permanece suficientemente preservada, sendo a inteligência normal ou acima do normal.
No que se segue serão descritos os sinais e sintomas usuais da SA, que eu sugiro que sejam agrupados em duas classes principais: a do déficit na interação social e a dos interesses obsessivos e restritos. A primeira diz respeito às relações da pessoa com AS com o mundo externo. A segunda diz respeito às relações da pessoa com AS consigo mesma, ou seja, à vida interior que ela cria como compensação para a falta de um contato efetivo com o mundo social.
I
Consideremos, primeiro, o déficit na interação social. Ele se constitui basicamente na falta de habilidades sociais, evidenciada no pouco contato ocular, na incapacidade de iniciar conversas, no discurso egocêntrico. Embora em geral a pessoa deseje estabelecer contatos e vínculos afetivos com os demais, ela não sabe como interagir socialmente. Faltam-lhe condições para “conectar-se” emocionalmente com os outros.
A limitação na socialização já existe no autismo de baixa funcionalidade, no qual o comprometimento da sociabilidade vem acompanhado de um comprometimento lingüístico e cognitivo severo, que torna o nosso mundo inacessível para ele. Por isso podemos dizer que o autista é uma pessoa que vive em seu próprio mundo, enquanto o portador de SA é uma pessoa que vive em nosso mundo, mas ao seu próprio modo.
Uma notável característica neurológica dos portadores de SA é que, enquanto em pessoas normais a observação de expressões fisionômicas e gestos de outras pessoas estimula certas áreas do córtex pré-motor, diversamente da observação de objetos, em pessoas com autismo ou SA isso não acontece. Ou seja: a reação cortical às pessoas é semelhante à reação que se tem à observação de objetos. A causa neurológica precisa ainda é desconhecida, mas se especula sobre uma falha no funcionamento dos “neurônios-espelho”, ou seja, de sistemas neurais inatamente preparados para descarregar diante de estímulos como o da presença de fisionomias humanas, expressões faciais, movimentos corporais. Neurônios-espelho seriam de grande importância para o nosso aprendizado imitativo.
Importante é notar que esses dados neurológicos fornecem um indício explicativo da razão da pobreza de contato do portador de SA. Eles sugerem que o portador dessa síndrome não possui um adequado “mapa” das mentes neurotípicas, que a cegueira emocional e falta de empatia se deve a ausência de uma “teoria da mente”. Mais particularmente, ele não possui a capacidade de natural e inata de compreender sinais comportamentais como o olhar, a expressão fisionômica, os gestos, a fala, no contexto da interação social. Por isso ele faz pouco contato ocular com o interlocutor. Pode lhe faltar, por exemplo, a disposição natural para distinguir reativamente a expressão fisionômica da raiva da expressão fisionômica do medo. Uma característica complementar associada à dificuldade de entender os sentimentos alheios é a dificuldade que o portador de SA tem de fazer uma adequada identificação dos seus próprios sentimentos.
Uma das conseqüências dessas deficiências é que o portador de SA não sabe ao certo como reagir em situações sociais. Ele não consegue se “sintonizar” com os demais. Não tem entendimento das “distâncias sociais”. Tende a um comportamento socialmente estranho e freqüentemente inoportuno. Falta a ele a espécie de reciprocidade afetiva e comportamental necessária ao jogo de dar e receber que alimenta os vínculos emocionais da maioria das pessoas. Tudo isso causa no portador de SA ansiedade e insegurança frente a qualquer contato social. O fado interior do portador de Asperger foi bem resumido em uma poesia de Edgar Alan Poe intitulada Alone:
     From childhood’s hour I have not been
     As others were – I have not seen
     As others saw – I could not bring
     My passions from a common spring –
     From the same source I have not taken
     My sorrow – I could not awaken
     My hearth to joy at the same tone –
     And all I lov’d – I lov’d alone.
O dia-a-dia de um portador de SA já foi descrito como sendo o de alguém vivendo em um país estranho, cuja língua e convenções sociais ele desconhece. E o efeito tardio do desamparo infantil na personalidade já foi comparado com o efeito provocado pela experiência de pessoas que viveram em um campo de concentração. Com efeito, o repetido fracasso em lidar com situações que requerem habilidades sociais tende a produzir um comportamento de evitação dessas situações, capaz de se transformar em fobia social que termine em depressão crônica.
Do que foi exposto não se deve concluir que o portador de SA não seja capaz de saber o que os outros sentem ou pensam. A diferença é que, diversamente das pessoas neurotípicas, ele não chega a isso através de uma reação empática espontânea, natural e imediata. Ele chega às conclusões sobre o que se passa nas mentes dos outros com base em experiências passadas e no raciocínio, inferindo que as pessoas devem sentir tais e tais emoções em tais e tais situações. É por precisar se valer da experiência e da razão para inferir ou adivinhar indutivamente o que se passa nas mentes das outras pessoas que o portador de SA tende a se apresentar como emocionalmente inadequado, errando freqüentemente em suas avaliações e tomando consciência do erro tarde demais. Ele perde o ritmo das conversações e as suas respostas imediatas são quase inevitavelmente em alguma medida inadequadas, sendo freqüentemente vistas como estranhas, bizarras, inapropriadas ou rudes, sem que ele tenha tido a intenção de sê-lo, o que é percebido por ele sempre tarde demais, pela reação inesperada dos demais ou pelo raciocínio (é, pois, diferente do caso da pessoa que erra “normalmente”, por culpa de suas próprias limitações cognitivas). Quando isso acontece o portador de SA fica embaraçado, embora possa não sentir culpa. Tais comportamentos podem facilmente levar as outras pessoas a pensarem que o portador de SA é uma pessoa insensível e grosseira.
Há outros traços menores que têm sido relatados e de alguma forma se relacionam às deficiências recém-relatadas. A fala do SA tende a ser monótona e o seu tom de voz é freqüentemente mais alto ou mais baixo do que as circunstâncias exigem. O portador de SA também costuma ter dificuldades de concentração e hipersensibilidade auditiva e tátil. Ele pode ter dificuldades no entendimento da linguagem figurativa, insistência em dizer a verdade, mesmo quando isso é inapropriado, falta de autocensura, desdém por fofocas e conversa fiada, cuja razão de ser ele não compreende, ingenuidade social. Ele pode ter dificuldade para o pensamento abstrato, falta de imaginação, tendência à racionalização de sentimentos e preferência pelas roupas confortáveis às que melhoram a aparência. Pode haver também déficits psicomotores, como o da motricidade fina.
II
O segundo traço mais característico dos portadores de SA constitui-se a meu ver nos interesses obsessivos e restritos. Enquanto pessoas neurotípicas focam as suas mentes em muitas coisas diversas e em conjunto, pessoas com SA (como os autistas em geral) tendem a focar as suas mentes intensamente e repetitivamente em uma coisa só, que tem características objetuais ao invés de pessoais. Eles se deixam, por exemplo, facilmente mesmerizar por algo (digamos, um quadro), não sendo capazes de parar de ter sua experiência. O mais característico é que o portador de SA tende a desenvolver interesses obsessivos por coisas como coleções de objetos geológicos, de insetos, de filmes, ou por temas científicos particulares, rejeitando outros interesses, embora possivelmente substituindo-os por outro, quando esgotados.
A explicação que sugiro para os interesses obsessivos é a de que eles serviriam como um substituto “interno” pela falta de um adequado relacionamento com o mundo social, “externo”: a pessoa passa a viver em um mundo de interesses específicos, geralmente objetuais e independentes do apelo social que eles possam ter como forma de preencher o vazio ocasionado pela “dislexia social” característica da AS. Como exemplo podemos considerar o caso do Gilles Trehin, o jovem portador de AS que passou vinte anos de sua vida trabalhando muitas horas por dia nos desenhos extremamente detalhados de uma cidade imaginária com dois milhões de habitantes, que ele situou no sul da França.
Essas fixações cognitivas costumam servir apenas para aprofundar a inadequação social da pessoa com SA, aumentando a falta de interesses comuns. Devido aos interesses obsessivos, a conversação do portador de SA tende a ser egocêntrica, centrada em suas fixações e sem atenção suficiente para os interesses que as demais pessoas normalmente compartilham entre si. Além do mais, a pessoa com SA precisa fazer raciocínios complexos para chegar a conclusões que para outros são intuitivas. É freqüente que o portador de SA tenha dificuldade em se aperceber do aborrecimento que causa aos outros com seus monólogos. Por sua vez, ele se sente aborrecido pelos múltiplos e variados interesses das pessoas neurotípicas, os quais para ele se afiguram desinteressantes ou irrelevantes.
Sem auxílio adequado, a tendência de prognóstico de pessoas com SA não costuma ser positiva, sendo alto o índice de casos que terminam em distúrbios neuróticos como o de depressão severa. Estima-se que apenas 10% dos SA se tornem capazes de se auto-sustentar. A pessoa erra constantemente em suas escolhas profissionais, sociais e afetivas, não sendo capaz de distinguir amigos de inimigos, caindo facilmente nas mãos de manipuladores no relacionamento afetivo, nos poucos casos em que essa espécie de relacionamento acontece.
Em alguns poucos casos, porém, a pessoa com SA consegue colocar os seus interesses obsessivos a serviço da sociedade, tornando a sua inserção social bem sucedida. Esse é o caso de Vernon Smith, prêmio Nobel de economia, diagnosticado como portador de SA. Ele conta em entrevista que uma razão pela qual chegou a desenvolver uma teoria econômica inovadora é que não sentia a pressão de fazer o que os outros faziam, por indiferença ao feedback motivacional proporcionado pela sociedade científica. Isso lhe permitiu trabalhar por anos em um campo desconhecido, movido apenas por sua curiosidade e por um interesse continuado.
Especula-se também se a SA não seria capaz de fornecer uma pista para o que se convencionou chamar de gênio. Afinal, pessoas com interesses obsessivos fazendo coisas na independência do que a sociedade delas espera podem bem ser uma fonte do inesperado, e entre as coisas inesperadas podem por vezes encontrar algumas que sejam originais e relevantes. Foi assim que se sugeriu que figuras exponenciais e excêntricas em ciência e em arte, como Isaac Newton e Glenn Gould possam ser classificadas como pertencentes ao spectrum autista. A idéia faz sentido. Newton foi um recluso que trabalhou muitos anos em Cambridge, e que ao mudar-se para Londres não deixou para trás nenhum amigo. Aos trinta e dois anos o pianista Glenn Gould, cuja carreira foi espetacular, abandonou a sala de concertos, passando a viver uma vida noturna em seu apartamento em Toronto; no final de sua curta vida ele sofria de obsessões, depressão e hipertensão, só se comunicando com as pessoas por telefone e por cartas. Se essa lista for correta, então não será difícil estendê-la, incluindo nela figuras como as de Descartes, Kant, Spinoza, Frege e Kurt Gödel e mesmo um compositor como Mozart. Poderíamos incluir romancistas nessa lista? Ora, considere o caso de Emily Brönte - em nível o único escritor inglês comparável a Shakespeare - a qual (segundo consta) preferia o contato com os animais ao contato com outros seres humanos. A imaginação social necessária ao relacionamento social pode ser adequada à produção de folhetins. A falta dessa imaginação social na pessoa com SA poderia ser compensada, contudo, pela presença da paranóia social responsável pelo delírio social necessário à criação verdadeiramente artística, um delírio que, sendo inteligente e acompanhado do necessário distanciamento, da falta de preconceitos emocionais que levem ao envolvimento a favor de distorções resultantes de wishful thinking, pode ser fonte de insight sobre aquilo que uma sociedade não ousa enxergar em si mesma.
Essas considerações são especulativas e há uma tendência ao exagero, ao hiper-diagnóstico. A razão parece-me clara: há uma gradação contínua, que vai desde o padrão neurotípico até o autismo severo, passando pela síndrome de Asperger. Mas entre o padrão neurotípico e a sídrome de Asperger, com todo o seu complexo de sintomas, há inúmeros casos intermediários. Em mulheres, por exemplo, os sintomas da síndrome aparecem de forma mais amena. O absolutamente neurotípico pode ter também as suas limitações, como o absolutamente mediano. Afinal, como notou Hans Asperger, uma gota de autismo é necessária a qualquer trabalho criativo em arte e em ciência.
Não há cura para a SA, mas a consciência da condição é importante, tanto para o seu portador quanto para as pessoas que o circundam, pois permite um entendimento mais adequado do que acontece e o recurso a estratégias de tratamento eficazes. A síndrome é facilmente diagnosticável em crianças, mas torna-se difícil de ser diagnosticada no adulto, que aprende a mascarar os sintomas. O adulto pode inclusive aprender a mimetizar o comportamento social da mesma forma que um artista representando em um teatro. Mas com a diferença que isso lhe causa um grande esforço e não lhe traz como retorno o prazer afetivo das trocas sociais naturais.
Como foi enfatizado é possível que portadores de SA se tornem pessoas úteis para a sociedade. Biólogos notaram que se as combinações de genes que produzem a SA e que podem produzir graus mais profundos de autismo trouxessem apenas resultados ruins, a seleção natural teria feito com que tais combinações fossem bloqueadas e desaparecessem. Elas só são possíveis porque se demonstraram evolucionariamente úteis à sobrevivência da espécie, posto que uma sociedade precisa de neurodiversidade para que cada indivíduo possa combinar as suas habilidades próprias com as dos demais, de modo produzir resultados melhores para todos. Por isso, antes de rotular a SA como uma anormalidade, podemos nos perguntar se não seria melhor considerá-la uma das muitas formas da natureza humana.
(1) Uma síndrome é um conjunto mais ou menos definido de sinais e sintomas; um caso típico é a insuficiência cardíaca. É importante notar que os sinais e sintomas costumam vir causalmente ligados uns aos outros, o que explica porque eles costumam aparecer em conjunto.

Autistas são mentalmente superiores em vários aspectos

"Nós precisamos parar de considerar que a estrutura cerebral diferenciada dos indivíduos autistas seja uma deficiência."
O alerta está em um artigo do Dr. Laurent Mottron, da Universidade de Montreal (Canadá), publicado nesta semana pela conceituada revista Nature.
Segundo o cientista, as pesquisas revelam que muitos autistas têm capacidades e qualidades que frequentemente excedem aquelas dos indivíduos ditos "normais".
"Dados recentes, e minha própria experiência pessoal, sugere que é hora de começar a pensar no autismo como uma vantagem em algumas esferas, não uma cruz para carregar," afirma Mottron.

Inteligência autêntica

Mottron e sua equipe demonstraram de forma firme e sistemática as habilidades - e às vezes as superioridades - dos autistas em múltiplas operações cognitivas, tais como a percepção e o raciocínio, entre outras.
Seu grupo inclui vários autistas, dos quais Michelle Dawson é um sucesso em particular. Michelle está dando grandes contribuições para a compreensão da condição por meio de seu trabalho e de seu julgamento.
"Michelle desafiou a minha percepção científica do autismo," confessa Mottron.
Esse desafio levou à interpretação dos pontos fortes do autista como a manifestação de uma inteligência autêntica, e não de uma espécie de truque do cérebro que lhes permite executar tarefas inteligentes sem pensar.

Variação da espécie humana

"É incrível para mim que há décadas os cientistas estimem a magnitude da deficiência mental baseando-se na aplicação de testes inadequados e na interpretação incorreta dos pontos fortes dos autistas," diz Mottron.
"Nós cunhamos uma palavra para isso: normocentrismo, ou seja, o preconceito que você tem de que se você faz ou é algo, é normal, e se o autista faz ou é, então é anormal," acrescenta.
O pesquisador afirma lamentar o fato de que muitas crianças autistas acabam fazendo trabalhos repetitivos, trabalhos braçais, apesar de sua inteligência e da aptidão para dar contribuições mais significativas para a sociedade.
"Michelle e outros indivíduos autistas têm-me convencido de que, em muitos casos, as pessoas com autismo precisam mais do que tudo é de oportunidades, muitas vezes de apoio, mas raramente de tratamento," afirma.
"Como resultado, meu trabalho e o de outros propõe que o autismo deva ser descrito e estudado como uma variante aceita dentro da espécie humana, não como um defeito a ser suprimido," conclui Mottron.

A engenharia do autismo

Quem é o psicólogo britânico que decidiu procurar entre profissionais da área de exatas as origens do transtorno que afeta a habilidade de se comunicar


POLÊMICO O psicólogo Simon Baron-Cohen. Sem medo de enfrentar controvérsias, ele procura pelas origens do autismo entre pessoas com inclinação para a matemática  (Foto: Brian Harris/Rex Features/Glow Images)
Eindhoven é o principal polo de tecnologia da Holanda. A cidade de 270 mil habitantes concentra duas importantes universidades tecnológicas e dezenas de indústrias de olho nos cérebros privilegiados formados lá. Nos últimos anos, as autoridades de saúde da cidade começaram a se dar conta de uma mudança. Não havia nenhum levantamento oficial, mas os especialistas tinham a sensação de atender mais crianças com autismo, um transtorno de desenvolvimento que atinge principalmente meninos e afeta a habilidade de relacionamento e comunicação.
Os boatos despertaram a atenção do psicólogo britânico Simon Baron-Cohen, de 53 anos, diretor do Centro de Pesquisa em Autismo da Universidade de Cambridge. Baron-Cohen tem fama em seu campo por dois motivos. É primo do comediante Sacha Baron-Cohen, conhecido mundialmente pelo personagem Borat, um jornalista do Cazaquistão politicamente incorreto e dono de um infame traje de banho verde-limão (quem viu não esquece). O segundo motivo que dá fama ao Baron-Cohen cientista e, provavelmente, o que mais lhe agrada são suas teorias polêmicas sobre as origens do autismo. Ele está longe de ser um oportunista. É sempre cauteloso ao explicar a dimensão de suas descobertas. Mas tampouco foge de controvérsias.
Para Baron-Cohen, o aumento de crianças com autismo, possivelmente o caso de Eindhoven, deve-se ao casamento entre pessoas com tendências autistas. Todo mundo conhece alguém assim: é o amigo da faculdade ou do trabalho com interesses muito específicos (pode ser organizar sua coleção de livros sobre trens ou colecionar espécies de um gênero de orquídea). Ele percebe facilmente padrões dispersos pelo cotidiano, como a sequência de funcionamento dos semáforos de uma avenida, e não tem muitos amigos. Segundo Baron-Cohen, pessoas com esse perfil escolhem profissões que aproveitem essa facilidade para captar padrões. Tornam-se engenheiros, matemáticos, físicos, cientistas da computação. “Não estou dizendo que todos os engenheiros e matemáticos são autistas”, afirmou a ÉPOCA Baron-Cohen. “Mas é comum que, entre esses profissionais, existam mais pessoas com características compatíveis com autismo.”
 

Há uma incidência maior de autismo entre matemáticos"
SIMON BARON-COHEN  
Esse tipo de habilidade está presente em todos nós, em maior ou menor grau. Entre os autistas, estaria absolutamente fora do normal. Alguns são capazes de criar fórmulas matemáticas para calcular em que dia da semana caiu uma data passada e quando cairá no futuro. Nos profissionais das ciências exatas, “grandes sistematizadores”, segundo Baron-Cohen, essa capacidade estaria na fronteira entre o normal e o fora do comum. “Talvez, eles tenham apenas alguns dos genes do autismo e manifestam só algumas características”, diz. Como são atraídos por um tipo específico de profissão, se concentrariam em polos tecnológicos, onde conheceriam mulheres com interesses semelhantes e, provavelmente, também com alguns dos genes do autismo. Ao se casarem, teriam filhos autistas ao unir suas cargas genéticas.
O caso de Eindhoven parecia a oportunidade perfeita para Baron-Cohen reunir evidências em favor de sua tese. Ele pediu que as escolas da cidade informassem o número de crianças autistas matriculadas. Fez o mesmo com escolas de outras duas cidades holandesas de tamanho semelhante – Haarlem e Utrecht –, mas cujas economias não são baseadas no setor tecnológico. A conclusão do estudo, divulgado há pouco mais de dois meses em uma importante publicação sobre autismo, parece confirmar as suspeitas de Baron-Cohen. Em Eindhoven, há entre duas e quatro vezes mais casos do que em Haarlem e Utrecht. A pesquisa foi a primeira a comparar a prevalência de autismo em um polo tecnológico com cidades de perfil econômico diferente. E, portanto, a provar cientificamente a relação. Mas a suspeita não é nova.
O primeiro caso a chamar a atenção foi o da Califórnia, Estados Unidos. O Estado engloba o Vale do Silício, região que concentra algumas das principais empresas de tecnologia do mundo, como o Facebook, o Google e a Apple. Entre 1987 e 2007, segundo estatísticas do governo americano, o número de diagnósticos de autismo aumentou 1.148%. A população cresceu só 27%. A ideia de que os pais de crianças com autismo tenham formas atenuadas da condição paira sobre o campo da psiquiatria desde o final da década de 1980. Mas foi Baron-Cohen que tomou para si a tarefa de provar ou refutar a teoria. Em sua busca pelas origens do autismo, já analisou milhares de familiares de matemáticos e engenheiros. As conclusões reforçam sua tese. Entre 1.405 parentes de estudantes de matemática, ele encontrou sete casos de transtornos semelhantes ao autismo. Nas famílias de universitários de outras áreas, achou apenas dois. Em um estudo com crianças autistas, a probabilidade de que o pai da criança ou um dos avôs fosse engenheiro era duas vezes maior.
A teoria, claro, é polêmica. “Esses achados precisam ser reproduzidos por outros estudos para que sejam considerados”, diz a psiquiatra Letícia Amorim, da Associação de Amigos do Autista. Os cientistas não têm certeza nem das origens genéticas do autismo. Não sabem se o transtorno é causado por dois ou 200 genes. Logo, é difícil procurar por eles entre matemáticos e engenheiros. Além disso, existe a dificuldade de fazer o diagnóstico.
Há um espectro de condições relacionadas ao autismo, algo parecido com uma escala. Pessoas com as formas mais graves têm quociente menor de inteligência, não desenvolvem a linguagem e não conseguem se relacionar. Na outra ponta da escala, os pacientes podem ter o quociente de inteligência acima da média da população e menos dificuldade para interagir socialmente. Baron-Cohen acredita que os físicos Albert Einstein e Isaac Newton, criadores das teorias que explicam o Universo, estavam nesse extremo do espectro, uma síndrome conhecida como Asperger. Em alguns casos, a fronteira entre a síndrome e o considerado “normal” é tão tênue que é difícil saber se pais de crianças autistas, possivelmente os matemáticos e engenheiros da teoria de Baron-Cohen, também não são eles mesmos Aspergers. Isso torna ainda mais complicado provar a teoria das tendências autistas.
Baron-Cohen diz que toda essa polêmica é por bons motivos. Porque ajuda os especialistas a entender como os autistas pensam e a refinar estratégias de aprendizagem destinadas a crianças com o transtorno. Além disso, serviria para mudar o olhar da sociedade. “Ao mostrar que esses traços podem estar presentes em profissionais, percebemos que o autismo engloba habilidades e até talentos”, diz.

Projeto equipara Autista a Portador de Deficiência e cria Política Nacional

Atualmente as pessoas com o distúrbio 
não são reconhecidas como deficientes
 Tramita na Câmara o Projeto de Lei 1631/11, do Senado, que cria a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e equipara os autistas aos portadores de deficiência. Atualmente as pessoas com o distúrbio não são reconhecidas como deficientes, o que limita o acesso a serviços públicos de saúde. Com a proposta, autistas e seus familiares terão direito à atenção integral à saúde.
O projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), define o “transtorno do espectro autista”, nome clínico para a síndrome, traz os direitos dos portadores e as obrigações do poder público. O texto consagra que os portadores do distúrbio não podem ser submetidos à privação da liberdade, tratamento desumano ou degradante, e nem serem vítimas de preconceito.
Segundo o PL 1631, a Política Nacional de Proteção se pautará pela participação da comunidade na sua formulação e pela visão multidisciplinar do atendimento ao autista.
Convívio social
Um dos pontos principais da proposta é a garantia de inserção social dos autistas. O texto assegura, por exemplo, medidas de estímulo à entrada no mercado de trabalho – desde que respeitadas as limitações da síndrome –, acesso a atendimento multiprofissional e medicamentos, direito a acompanhante em escolas de ensino regular, e proteção previdenciária.
A proposta garante ainda o acesso a plano de saúde privado. Deste modo, a constatação da síndrome não poderá ser usada para impedir ou retirar pessoa do plano. O texto proíbe também que os portadores sejam internados em asilos.
Classes regulares ou especiais
O projeto torna obrigatória ainda a inclusão dos estudantes com transtorno do espectro autista nas classes comuns de ensino regular quando o estudante tiver condições para ser inserido. Assegura também o atendimento educacional especializado gratuito àqueles que apresentarem necessidades especiais e sempre que, em função de condições específicas, não for possível a sua inserção nas classes comuns de ensino regular.
Segundo o texto, o governo deve incentivar a formação e a capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, bem como a pais e responsáveis.
De acordo com especialistas, o autismo é um transtorno neurológico que afeta o indivíduo em três áreas: interação social, comunicação e imaginação. Não se sabe exatamente as causas que levam à síndrome e as características podem variar muito entre os indivíduos. De modo geral, o distúrbio aparece antes dos três anos. O portador tem dificuldade em manter contato social, se comunicar espontaneamente e realizar tarefas cotidianas. A linguagem é atrasada ou não se manifesta, nos casos mais graves. E o comportamento tende a ser repetitivo em áreas de interesse.
Tramitação
Antes de ir ao Plenário o projeto será analisado nas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; Seguridade Social e Família; e Constituição e Justiça e de Cidadania.


Fonte

O Trabalho dos artesãos cegos de Caxias do Sul

Alunos da Apadev derrubaram a última barreira que os impedia de trabalhar profissionalmente. Eles foram reconhecidos oficialmente como a primeira turma de artesãos cegos de Caxias do Sul. Confira um pouco do trabalho deles...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dislexia


Ana Maria Braga chama a atenção para o assunto, que muitas vezes é confundido com desinteresse...

Assista o vídeo clicando em cima de:


maisvoce.dislexia

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Em programa, Jô Soares revela: “Tenho um filho de 41 anos autista"

Em programa, Jô Soares revela: 
“Tenho um filho de 41 anos autista"
  
No programa Roda Viva, exibido na noite desta segunda-feira (7), na TV Cultura, Jô Soares falou, depois de muito tempo, do filho especial – seu único. O rapaz morou por alguns anos no exterior e nunca foi visto com o pai e quase nunca é citado por ele em entrevistas.
No programa, que teve como entrevistadores vários jornalistas de diferentes veículos, o assunto surgiu quando Jô foi questionado sobre como consegue manter sua vida pessoal longe dos veículos voltados às fofocas de celebridades. Ele respondeu que se mantém longe das badalações e não vai a estreias. Disse ainda que sua vida pessoal só interessa a ele.
Na sequência, falou do filho Rafael, fruto de seu primeiro casamento com a atriz Theresa Austregésilo, dizendo que ele tem dificuldades e ao mesmo tempo capacidades excepcionais.
O apresentador e escritor ainda comparou o filho com o personagem de Justin Hoffman, que fez um autista no filmeRain Man, de 1988. Rafael toca piano, faz programa de rádio em casa, fala inglês, e aprendeu a ler sozinho aos 4 anos de idade Rafael possui uma boa capacidade de comunicação e inteligência, mas tem dificuldades motoras e vive em uma espécie de mundo particular.
“Tenho um filho de 41 anos autista… Quando ele gosta da música, a vizinhança sofre, daí tenho que gritar, Rafael, abaixa isso...”
“Não é que eu não fale [do filho], mas acho que não é da conta de ninguém”, avaliou E ainda discorrendo sobre a fama, Jô deu o seu ponto de vista sobre o que é celebridade:
“Acho que celebriades têm que se enquadrar em pessoas que vão a estreias e que se auto-promovem…
    
     O filme Rain Man

Charles Babbit (Tom Cruise), um jovem vendedor de carros caros, descobre que seu pai, com quem tinha brigado há vários anos, morreu e deixou sua fortuna para um irmão que desconhecia. Raymond (Dustin Hoffman) é autista e, desde criança, está internado em uma clínica. Para receber sua parte do dinheiro, Charles tem de levar o irmão para Los Angeles, mas ele se recusa a andar de avião e os dois praticamente cruzam o país de carro. Ao longo do caminho, Charles, que estava apenas interessado no dinheiro e sempre foi um homem frio e calculista, vai se aproximando do irmão e descobrindo suas estranhas habilidades.

Com 14 anos, gênio da matemática diz ter a sociabilidade de uma batata


Tenho a sociabilidade de uma batata falante, diz Cameron. Foto: BBC Brasil
O galês Cameron Thompson tem 14 anos e está estudando Matemática Aplicada na Open University. Em depoimento à BBC, ele fala sobre as dificuldades que enfrenta por ser um adolescente superdotado. Aos 10 anos, ele participou de um concurso de matemática na internet. "Eu fiz 140 pontos em um teste com pontuação máxima de 140. Quebrei o sistema, acho que me saí bem", conta.
Mas ser um gênio da matemática tornou-se a identidade completa de Cameron e participar da vida escolar e fazer amigos acabaram sendo relegados ao segundo plano. "Tenho a sociabilidade de uma batata falante", ele admite. "A maioria das pessoas da minha idade me despreza. É assim há anos. Estou acostumado a ser ignorado".
As bases do sucesso acadêmico de Cameron foram abaladas pelo fato de que suas notas na Open University vêm caindo. Por conta disso, ele está entrando em pânico. No primeiro ano, suas notas foram altíssimas - 80% da pontuação máxima, algo que apenas 0,5% dos estudantes do curso consegue alcançar. Porém, em um trabalho recente, Cameron obteve apenas 72% da pontuação. Uma ótima nota para a maioria das pessoas, mas não o suficiente para garantir a distinção que ele deseja. "Estou com medo de não passar na Open University", ele diz. "Embora, tecnicamente, eu só devesse estar fazendo o curso daqui a cinco anos".
Recomeço
Embora Cameron consiga achar com facilidade as respostas para os problemas matemáticos, ele tem dificuldade em explicar como chegou a elas, o que diminui suas notas. Ele só poderá continuar o curso na Open University se conseguir melhorar sua pontuação.
Seus pais, Rod e Alison, moram perto de Wrexham, no País de Gales. Eles não têm certeza se a dificuldade do filho em explicar seu raciocínio se deve à sua idade ou ao fato de que recentemente ele foi diagnosticado como portador da Síndrome de Asperger, um tipo de autismo que ocasionalmente alia habilidade mental com problemas de comunicação. "Aparentemente, muitas pessoas com (Síndrome de) Asperger são realmente inteligentes", diz Cameron. "Pessoas como Einstein e Newton, supostamente teriam (Síndrome de) Asperger".
A necessidade de melhorar suas notas no próximo trabalho preocupa Cameron. Mas a luta para se distinguir não é resultado de pressão dos seus pais e, sim, dele próprio. Para complicar a situação, o adolescente está entrando na puberdade. "Minha mão notou que eu tenho um bigodinho", ele explica.
Os Thompson vão mudar de casa e Cameron vai começar a estudar em uma nova escola. A família espera que o recomeço ofereça uma oportunidade ao adolescente de formar uma nova vida social. "Isso me dá uma chance de começar de novo", ele explica. "Eles acham que eu posso melhorar meu status social, em vez de ficar apenas lá embaixo".
"Se eu conseguir chegar ao meio, estarei menos sujeito a ser intimidado, pelo menos não fisicamente." O adolescente espera conseguir fazer amigos. Com isso, ele acha que vai sofrer menos intimidações e agressões físicas.
A dificuldade em fazer amigos está associada à Síndrome de Asperger. A mãe de Cameron disse que o filho não consegue decodificar sinais sociais. "Às vezes ele não tem o menor tato", ela diz. "Ele é uma criança adorável, faz tudo por todo mundo. Ao mesmo tempo, se por um lado às vezes falta a ele um pouco de percepção, por outro, ele é muito sensível".
Escolher a escola certa para Cameron foi de extrema importância, porque seus pais querem que ele desenvolva várias aptidões, não apenas a acadêmica. "Precisamos dar a ele um bom equilíbrio, temos de responder às suas necessidades emocionais e sociais e (permitir que ele) desenvolva uma ampla gama de habilidades", disse seu pai, Rod. A nova escola de Cameron se especializa em educar crianças com vários graus de autismo e sua professora, Enid Moore, está ansiosa para que ele leve seus estudos sociais a sério.
Ela enfatiza que não é suficiente ter diplomas - Cameron precisa aprender a se relacionar com pessoas de sua própria idade e a manter amizades. No primeiro dia de aula ele conheceu Tim, outro adolescente inteligente que também sofre de Síndrome de Asperger. Os dois têm interesses e problemas semelhantes, o que significa que podem dar apoio um ao outro nos momentos de dificuldade. Tim falou à BBC: "É incrível ter um amigo novo porque ele é divertido... e ele também gosta dos mesmos jogos de computador que eu.
Matemática Aplicada
Nesse meio-tempo, Cameron prossegue com seu curso na Open University. Ele quer terminar o curso aos 16 anos. Sua última prova teve um resultado um pouco melhor: 77% da pontuação máxima. Isso significa que ele pode continuar no curso, mas ele não está satisfeito."Eu esperava mais de 80%", ele diz.
O matemático Imre Leader, do Trinity College, em Cambridge, fez uma avaliação da habilidade matemática do adolescente. Ele sugeriu que Cameron diminua o ritmo um pouco e vá estudar matemática nas Universidades de Cambridge ou Oxford quando tiver 18 anos, com estudantes da mesma idade. Ele também recomendou que Cameron participe de cursos de verão com outros estudantes de matemática talentosos, vindos de outras escolas. Cameron diz que ainda pretende concluir o curso na Open University, mas conta que os conselhos do professor Leader lhe deram uma outra opção de vida.
"Ele me ensinou que você precisa ir mais além na matemática, não apenas à superfície, mas lá dentro, nas profundezas. E como ele disse, há outras pessoas como eu, grande habilidade matemática, vidas escolares ruins". Desde que completou 14 anos, Cameron vem se interessando por meninas. Recentemente, ele teve seu primeiro encontro com uma garota, desacompanhado dos pais.
Cameron parece estar conquistando, aos poucos, uma vida mais equilibrada e feliz.