terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Uespi promove curso para alunos junto a crianças com autismo

Com mais de 10 anos de experiência em trabalhos com crianças do espectro autista, a equipe formada pelos psicólogos Daniele Fonseca, Danilo de Sá e Kelves Sampaio agora capacitará professores matriculados no Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, o PARFOR, da Universidade Estadual do Piauí - Uespi.  As primeiras aulas do curso terão início em março deste ano e seguirão até junho.
O Curso de Orientações Pedagógicas em ABA para Manejo com Alunos Autistas em Sala de Aula. O método ABA, em inglês Applied Behavior Analysis, consiste na análise do comportamento para a construção de técnicas de ensino que facilitem o aprendizado de crianças com autismo, seja ele leve ou mais severo.
“Vamos capacitar profissionais para que possam lidar melhor com crianças autistas que encontrarem em salas de aula, como adaptar tarefas, por exemplo. O índice de alunos com algum grau de autismo é muito alto”, comenta Daniele Fonseca.
Pesquisas realizadas pelo Hospital das Clínicas de São Paulo estimam que cerca de 90% das crianças com autismo, no Brasil, não são corretamente diagnosticadas. Isso dificulta o auxílio em seu processo de aprendizagem e desenvolvimento. Por isso a grande importância na capacitação de professores para reconhecer e auxiliar não apenas os alunos, mas a família destes também.
Inicialmente, o curso contemplará 100 professores do Programa nos municípios de Corrente e Parnaíba. “Para o segundo semestre de 2015 já prevemos uma expansão para outras cidades do estado, vamos divulgar assim que tudo estiver definido”, adiantou o coordenador do PARFOR/UESPI, Prof. Raimundo Dutra.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Agradecimento



Esta frase encontrei no perfil de uma amiga que estimo muito. Ela fotografou o muro muro que foi pintado entre o Prédio da FACED (Faculdade de Educação) e o Bar do Antônio no Campus Centro da UFRGS

" São as desigualdades que devem ser combatidas e não as diferenças, essas só nos enriquecem."

Através dela, estamos aqui para agradecer o apoio de todos! As mensagens, o carinho e a torcida!Gostaríamos que soubessem o quanto nos fortalecem!
Nossa página no face está com 10.000 seguidores e estamos muito felizes!

 Muito obrigada!

https://www.facebook.com/pratpedagogica


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Nicholas Winton, o herói anônimo

Que cada um de nós possa ousar em fazer o que todos julgam impossível e tenham consciência do quanto podem representar...


Reabilitação e Acessibilidade para deficientes físicos e neuro motores

Nesta matéria, próximo aos 32 min. deste vídeo, Ângelo aparece em uma sessão de equoterapia!
O programa revela a verdade "nua e crua" sobre inclusão e acessibilidade em nosso Estado e o que está sendo feito pela ciência para reabilitar as pessoas com deficiências físicas e neuro motoras.
Participam 17 pessoas, entre médicos, fisioterapeutas, comerciante de aparelhos para acessibilidade e pacientes.


Ângelo faz diferenciação!

Olhem o Ângelo separando animais, carros e seres humanos em uma atividade com a prof. AEE Mara Rossatto!
É uma paixão!

video

Use o cinto de segurança


 




Olá amigos!
Venho compartilhar um grande exemplo de superação!
O livro está disponível na pág.: https://www.facebook.com/rafaelmedeirosoficial

Escola, Inclusão e Internet

Em muitos fóruns e até mesmo em cursos, houve professores que questionaram a presença de crianças com deficiência na escola. Já ouvi coisas do tipo:
  •  " Por que colocar essas crianças na escola se nunca aprenderão nada?"
  •  " Coitados dos cadeirantes vendo os outros andar."
  •  " Entendo que a família desejou e esperou esta criança, mas querer que ela seja "normal" é um pouco demais."
  • " Um cego precisa apenas aprender a andar na rua, o que não vai acontecer nos espaços de uma escola." 
Sim, já ouvi muitas besteiras.... Mas a minha esperança, até mesmo por encontrar estas pessoas nestes ambientes (cursos, fóruns, palestras) é de estarem procurando algum tipo de apoio. Seja para qualificar seu trabalho ou se posicionar contra a inclusão e torço para ser a primeira hipótese.
Sempre me posicionei a favor da inclusão, embora não como substituição do atendimento especializado, pois até mesmo as crianças típicas por vezes necessitam do apoio de outro profissional para alcançar o desempenho desejado. Não há coerência em retirar o apoio multiprofissional das crianças que enfrentam limitações por estarem frequentando uma escola regular. 
Há grandes benefícios alcançados pela inclusão quando encontramos profissionais comprometidos! Há benefícios para as crianças típicas que entendem limitações das quais não vivem e estudos comprovam que se tornam adultos mais bondosos, determinados e tolerantes. E claro, benefícios para as pessoas com deficiência, que passam a "copiar" as outras crianças e absorvem melhor as regras sociais. E sim, TODOS PODEM APRENDER ALGO! Somando isso, o benefício é  para a sociedade de forma geral, diante de futuros adultos (engenheiros, médicos, secretárias, vendedores....) que lidarão com as diferenças de forma natural, compreendendo as limitações e lembrarão das adaptações que a sociedade necessita (como rampas, por exemplo).
Estamos em uma era de mudanças significativas na educação e se fecharmos os portões para as pessoas diferentes e não compreendermos a importância social que a escola representa, podemos lacrar os portões, pois a inclusão é para todos, somos todos diferentes. Se jogarmos fora, a responsabilidade social de uma escola e mantê-la apenas como transmissora de conteúdos, nos dias de hoje a internet já o  faz e de forma muito mais atraente! Através da internet temos acesso à artigos, livros, vídeos, imagens, troca de mensagens e  podemos  visitar  municípios, estados ou países de forma virtual. É uma ferramenta fascinante! Deve ser usada com cautela, mas não ignorada.
Precisamos  inovar, ousar e ter o compromisso de tornar cada individuo uma pessoa melhor para a sociedade. Temos o compromisso de acompanhar as mudanças que ocorrem, nos atualizar.
A educação é uma formação contínua tanto para quem aprende, quanto para quem ensina.
Embora o vídeo não fale exatamente sobre inclusão, ele resume a educação e a necessidade de estar sempre em busca de  atualização frente a esse compromisso social.






Conversando sobre Autismo - UCS



Olá queridos amigos! Venho compartilhar com vocês as fotos de uma palestra que fiz na UCS sobre autismo na semana acadêmica de psicologia. Fui convidada pelas alunas de psicologia Gabrielli Rocha e Luani Paim, as quais sentiram interesse em levar o tema à sociedade.
Como todos sabem, tenho dois lindos e adoráveis filhos e o meu caçula Ângelo me trouxe esse desafio especial: conhecer o autismo.
O autismo é um distúrbio abrangente que afeta a comunicação social e o comportamento. Ele pode acontecer em qualquer família e é mais frequente em meninos do que em meninas.
Apesar de ter graduação e duas pós-graduações, precisei procurar cursos específicos e direcionados ao autismo, pois ainda encontramos carência de informação atualizada nos cursos de formação. Enquanto poucos procuram conhecer, outros tantos estão presos em conceitos antigos nas universidades.
Sei que muitos profissionais defendem a idéia de que as crianças não perdem habilidades e sim os pais não percebem as características do autismo em crianças muito pequenas. Diante da experiência de antes ter sido mãe de uma criança típica, posso afirmar que meu filho apresentou regressão a partir de um ano e meio após uma febre. O filho de uma amiga próxima, se desenvolveu como uma criança típica até os 6 anos e depois de crises convulsivas, perdeu habilidades. E uma infinita lista de pais que perceberam sim, regressão do comportamento em seus filhos. Porém, há aqueles que acionam o sinal de alerta ainda quando bebês: mamam sem olhar para mãe, são muito quiétinho, não choram quando estão com a fralda suja, não estranham as pessoas que não são do seu convívio ou preferem o berço do que o colo da mãe. Esses sinais não definem um diagnóstico, mas pode-se iniciar uma intervenção.
Além de inúmeros cursos, frequento grupos de estudos desde a fase em que ele regrediu. Os grupos são formados por pais e profissionais e alguns acontecem de forma virtual. Porém, não existe formação maior do que o dia a dia, sentir na pele, aprender diante da experiência e do amor. Muito amor.
Engana-se quem lê sobre autismo, convive com uma pessoa com autismo e julga-se entendedor da síndrome.  Apesar das mesmas dificuldades, as pessoas a vivenciam de forma diferente. Existe um indivíduo com preferências, sonhos, desejos, humor antes de olharmos o diagnóstico.
Algumas pessoas com autismo são capazes de viver de modo relativamente independente, mas a maioria precisará de apoio especializado para o resto da vida.
Acreditamos que a informação seja a nossa maior arma para acabar com o preconceito e promover a verdadeira inclusão na sociedade. Afinal, ser diferente é ser normal, ser indiferente que não é.
Contamos sempre com o apoio daqueles que verdadeiramente estão dispostos a acrescentar na vida do próximo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Atividade do Ângelo

Esta é uma atividade criada para o Ângelo e ela possui amplas possibilidades a ser explorada...
Em primeiro momento, criamos as vogais com fita durex colorida em folhas de papel desenho dividas ao meio. Em seguida, o Ângelo escolheu a cor da tinta que desejava utilizar e preencheu todos os cartões das vogais utilizando um rolinho. Escolhi um rolinho por saber que ele não teria paciência para preencher os espaços utilizando outro material.


 Assim que a tinta secou, exploramos o movimento de pinça retirando o durex colorido dos nossos cartões das vogais.


Infelizmente, esta foto saiu embaçada, mas é possível perceber a finalidade final da nossa atividade: a escrita.
Embora ainda seja difícil e mãozinha trêmula, Ângelo contornou todas as vogais dos cartões respeitando para não ultrapassar os espaços.
Estou muito orgulhosa deste menino! Ele luta e luta muito para superar suas dificuldades!


Companhia Aérea nega embarque de jovem com paralisia e caso vai parar na polícia

Quanto preconceito ainda existe diante ás diferenças... Lamentável!
Azul diz que recusou transporte para garantir segurança dos passageiros. Anac notificou a empresa para que dê uma resposta sobre a recusa.
A companhia Azul Linhas Áereas negou o embarque de um passageiro adulto com paralisia cerebral e o caso foi parar na polícia nesta terça-feira (30). A mãe do jovem de 33 anos, Mariângela Beghini, registrou um boletim de ocorrência por discriminação em Campinas (SP).
A família embarcaria para Curitiba, no Paraná, no aeroporto de Guarulhos, nesta manhã. No entanto, a viagem não aconteceu porque para a empresa, o jovem não poderia viajar dentro de uma aeronave. “Se pelo menos eles tivessem entrado em contato comigo antes, eu teria como recorrer, pegar um laudo do médico dele particular ”, conta a mãe.
Para confirmar a viagem, a mãe do rapaz afirma que seguiu todas as exigências previstas no caso de passageiros com necessidades especiais. Ela preencheu um formulário extenso sobre as características e condições físicas do filho e enviou o documento no dia 19 de dezembro.
Sem a confirmação do voo previsto para esta manhã, Mariângela cobrou uma resposta da empresa aérea um dia antes da viagem. A Azul alegou que tentou um contato com a família, mas não conseguiu e enviou uma declaração dizendo que recusou o transporte do passageiro para garantir a saúde e segurança dele e dos demais passageiros.
“Ele é muito sociável, ele está comigo em todos os lugares, nós vamos em restaurantes e passeios e ele não dá trabalho nenhum. A proteção dele, a segurança dele, estaria eu e meu marido no voo, então, ele não precisaria de nenhuma ajuda”, explica a mãe.
Após o transtorno, a família conseguiu comprar passagem para Curitiba, mas por outra empresa aérea. “Eu acho que as pessoas com deficiência não podem ser desrespeitadas. Ninguém pode ser. A gente tem que mostrar que eles estão aí, são pessoas iguais a nós, e acho que a inclusão está aí”, destaca a mãe.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Um relato sobre a síndrome de asperger

Este vídeo é um relato de como é ter a síndrome de asperger. Em dois dos cursos que fiz, ele foi apresentado ao público e por isso, vim compartilhar.


" Por que Heloisa?" Video lindo de uma menina com paralisia cerebral e seu dia a dia

Se você ainda não assistiu, assista ao lindíssimo "Por Que Heloisa?".
A animação é baseada no livro de Cristiana Soares e conta a história de Heloisa, uma menina com paralisia cerebral, enfrentando com muito bom humor situações, que poderiam, de início, parecer amedrontadoras. O curta defende uma Educação Inclusiva.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Intolerância às férias

Estamos contando os dias (literalmente) para o fim das férias!!
Ângelo está sofrendo de saudade da escola, dos colegas, dos professores e funcionários! Não só tivemos que visitar a escola fechada, como foi preciso organizar uma viagem para o tempo passar mais rápido!

Não enfrentamos muitos problemas com quebra de rotina, mas nosso menino não é o tipo de criança que aceita reduzir as atividades.
 Embora eu tivesse me organizado para mantê-lo sempre realizando algo, o pai dele teve sérios problemas de saúde, a atenção para ele diminuiu  e a saudade da escola bateu!
Como explicar o que é férias?
A alternativa foi criar um mural com o que ele pudesse escolher o que fazer por estar de férias e uma espécie de calendário para contarmos os dias para ele ir ao seu lugar preferido: o mar!



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Congresso Nacional sobre Autismo

TOTALMENTE ONLINE E GRATUITO!!
De 23 de Fevereiro a 01 de Março de 2015.
Maiores Informações clique abaixo!!!

 http://www.conautismo.com.br/

Menina faz sucesso ao dançar do seu jeito em apresentação da escola

É impossível não amar as crianças...
Cada uma do seu jeito e todas incrivelmente lindas!
Não resisti em compartilhar esta apresentação de uma escola...


Autista cria livro e rádio para divulgar transtorno

Quieto, distraído, fazendo movimentos repetitivos. Essa é a imagem que a grande maioria das pessoas tem dos autistas. Além do estereótipo, a falta de informação e o acesso gratuito a especialistas restrito ainda dificultam o diagnóstico e o desenvolvimento dos autistas no Brasil.
“No ABC não tem praticamente nada. Temos de ir para São Paulo achar especialistas e é tudo particular”, destacou André Luiz Pinheiro, 41 anos, morador de Santo André, autor do livro O mistério de Palhaço Azul e criador da webrádio Xiririca. O autismo é definido como um transtorno global do desenvolvimento com características básicas, como inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.
Pedagogo, pós-graduado em educação infantil, educação ambiental e agora concluindo a especialização de educação inclusiva, Pinheiro é exemplo de como o diagnóstico da doença ainda é difícil e de que os autistas podem viver normalmente. “Só fui diagnosticado aos 40 anos. As pessoas desconfiavam e me indicavam que deveria procurar ajuda. Fiquei dois anos procurando vários médicos até receber o diagnóstico”, destacou.
Pinheiro ressaltou que desde os 2 anos apresenta sinais, mas que como entrou na escola e se formou normalmente as pessoas só o consideravam um garoto estranho. “O que senti quando recebi o diagnóstico? Alívio. Eu, diagnosticando e fazendo tratamento, já sinto uma melhora muito grande, mesmo tardio”, pontuou.
O pedagogo se encaixa no perfil da Síndrome de Asperger, transtorno do espectro autista. Normalmente, os pacientes com esse perfil se distanciam da imagem clássica do autista. “Muita gente por aí tem e não sabe. Teve gente que falou que achava impossível eu ser autista, pois fiz faculdade. Converso com muitas pessoas autistas e cada uma é de um jeito diferente, varia bastante. A única característica igual para todos é o problema com interação social”, ressaltou.
Pinheiro acredita que o mito em torno da doença, a falta de informação, ajuda a assustar os pais, que recebem o diagnóstico dos filhos com desespero. “Tem gente que acha que autista não pode namorar, casar, que não vai conseguir estudar”, afirmou. Com ajuda da internet e de campanhas de conscientização, o pedagogo percebe que muitas pessoas têm conseguido o diagnóstico ainda na infância. No entanto, aponta que o sistema público de saúde não oferece o mínimo para que o diagnóstico e o tratamento ocorram nas famílias sem condições financeiras.
Livro
Pinheiro destacou que a fase mais difícil de superar foi a adolescência. É sobre essa etapa que o pedagogo conta em seu livro, O mistério do Palhaço Azul, lançado pelo Clube de Autores. A autobiografia traz as dificuldades da época em que não sabia que era autista, sua busca por ajuda e sua transformação após o diagnóstico. “Quero passar esperança para as pessoas, que é possível o autista se desenvolver e viver normalmente.”
Fazendo apresentações co­mo palhaço Pinheiro viu a oportunidade de trabalhar seus problemas de comunicação, uma forma de se abrir para um mundo de extroversão que muitas vezes se distancia do autista.
Outra atividade que André desenvolve é na webrádio Xiririca, onde junta música e informação, contando sua história e ajudando a divulgar o autismo. A rádio já possui mais de 8 mil acessos, com uma média de visitação diária de 200 acessos e fica 24 horas no ar. A rádio pode ser ouvida pelo endereço www.radioxiririca.com.br e o livro, impresso ou em versão digital, pode ser adquirido pelo site www.clubedeautores.com.br

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Eugênio Cunha: Autismo e perspectivas

Rio - Nos últimos anos, os debates acerca do autismo ganharam visibilidade.
A exposição do tema na mídia e nas redes sociais disseminou informações que têm aclarado um pouco mais esse campo de estudos, ainda desconhecido para a maioria das pessoas. O autismo é um transtorno tão complexo e com sintomas tão diferentes, que há quem diga que não existem dois autistas iguais. O autista tem dificuldades na interação social e um apego exagerado a rotinas.
No ano de 2014, a trajetória da luta pelos direitos da pessoa com o transtorno teve vitórias e desafios. Algumas das conquistas foram a capacitação de profissionais e professores da rede pública de ensino, pesquisas científicas buscando descortinar a síndrome e a inauguração da primeira clínica-escola pública para autistas no Brasil, em Itaboraí.
Porém, ainda há grandes desafios pela frente. Muitos autistas foram impedidos de frequentar escolas simplesmente por serem autistas. Crianças viram o seu direito a uma educação multidisciplinar cerceado, porque há poucas escolas estruturadas para atendê-las. Como resultado, mães e pais se sentiram desamparados na luta pelo tratamento de seus filhos; esquecidos foram por quem deveria ampará-los.
Também falta espaço no mercado de trabalho, porque não existem políticas para o campo profissional que os capacitem e os incluam.
Porém, nesse estado das coisas, surgiram aqueles que não perderam a esperança, mas nutriram seus sonhos na mesma perspectiva de muitos professores, desejosos por um espaço educacional afetivo e social, que não discrimine, mas acolha e inclua a partir de um modelo de ensino que aponte mais para as necessidades de quem aprende e menos para os conceitos de quem ensina. São família e escola. Esses são os que poderão superar os desafios.

Eugênio Cunha é autor do livro ‘Autismo e inclusão’

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Aprendendo os números

É mais fácil ensinar quando o individuo irá se apropriar do conhecimento em seu benefício. Para o Ângelo, os números do elevador fazem sentido...


Encontre o par



Esta é uma atividade criada para o Ângelo identificar os pares. As cores das imagens foram propositalmente escolhidas diferentes para que não corrêssemos o risco dele agrupar por cor e não por imagem.

Atividades das Sombras





Esta é uma atividade criada para o Ângelo reconhecer a sombra que corresponde a cada bichinho.
Esta atividade também exige atenção aos detalhes.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Atividade Nível II


Esta é uma atividade de Nível II onde a criança além de transportar os objetos da esquerda para a direita, necessita organizar de acordo com a cor correspondente.
Atividade criada pela prof. AEE Ana Lucia Pires para contribuir no aprendizado do Ângelo.

Contando histórias...


Agora que o Ângelo já consegue responder ao que solicitamos e não está frente aos olhos dele, entramos na fase de explorar as histórias.
Esta atividade, vamos montando conforme a história que contamos..
A grama cresce, a árvore dá frutos e os pássaros voam felizes no céu... É preciso atenção para organizar a figura conforme a história é contada.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Há 29 anos, ele é pai 24h por dia e supera ao lado do filho as dores do autismo

“Marquinho! Hoje é seu aniversário, meu filho querido, sei que você não está bem, mas saiba que sinto sua dor também, meu filho. Parabéns, nunca vou te abandonar, estarei todos os dias, na madrugada, na noite, sempre ao seu lado, porque é muito especial para mim. Parabéns papai te ama”.
O texto acima foi postado dia 16 de junho, segunda-feira passada, quando Marco Aurélio completou 29 anos. O pai, Deir Ferreira de Arruda, viu na data motivo para comemorar. Razões que a gente, de fora, se pergunta quais são.
Deir não tem profissão. Aos 49 anos é pai 24h por dia, 7 dias por semana, em tempo integral. Pai de um filho autista, com um grau considerado severo da doença. Um homem com traços envelhecidos, um ar cansado, que vem nos abrir a porta e explica a cara de sono dizendo que está de pé desde 2h da manhã, quando Marquinho levantou.
a casa humilde, alugada e de poucos cômodos, Marquinho passa pulando de um lado para o outro. Está tranquilo e os pulos são no ritmo do som, no rádio do jovem está tocando Pitty, artista que ele mais gosta. É na melodia que ele encontra uma terapia. Se acalma, ou se agita, conforme a música dita. “O autista é assim”, resume o pai sobre o comportamento do filho. Marquinho não fala, enxerga, mas a gente não sabe dizer o que ele vê.
Na semana passada, as mãos tocaram o bolo de aniversário. Deir nunca pode levar Marquinho às festas de criança sem que pudesse tirar os olhos do menino. Ele explica que é porque em qualquer descuido, o filho colocava a mão no bolo destruindo glacê e o que viesse de recheio.
Há muito tempo não se festejava o aniversário de Marquinho. Deir não sabe precisar quando foi o último dia 16 de junho passado assim. Na casa da tia, o aniversariante recebeu os familiares, ou melhor, a família o recebeu. Balões, refrigerantes e as velinhas. “Para mim ele sabia que a festinha era para ele. Ele ficou bem feliz”, comenta.
Quem soprou as velinhas foi Deir, é o pai que vê motivo e razão na chegada de mais um ano de vida. “Ele estabilizou, venci uma etapa que é a estabilização da saúde dele”.
Quando o Campo Grande News conheceu Marco Aurélio, há 3 anos, o pai estava em desespero. O autista colecionava convulsões e a família só recebia más notícias, desde a piora no estado de saúde até o encerramento do atendimento em psiquiatria pela Santa Casa.
Só neste ano é que Deir conseguiu, pela Justiça, direito aos medicamentos e fraldas para o filho de graça, pela Casa de saúde. Até então, era tudo do bolso dele, que sem emprego, vivia apenas da renda do INSS.
Hoje, Deir ainda carrega nos olhos o peso de quem não dorme e não come direito, de quem pensa mais no filho e mal se lembra de si. Constatação que ele mesmo faz em voz alta. “Tem medicamento, tem que fazer almoço. Você esquece de você”.
O filho começa a demonstrar agitação, talvez pelas visitas, ou pela atenção que o pai dispensava a nós. “Vamos até aquela avenida nova? Ele adora passear, falou de por o tênis, ele já sabe”, descrevia Deir.
Dito e feito, ao chamar Marquinho para calçar o tênis, o menino magro, na altura do seu 1,71m, se sentou esperando o pai colocar um pé depois do outro. Em mãos, duas tampas que ele não desgruda. “Autista se apega a objetos e você não pode trocar, mas são sempre tampa de garrafa ou plástico”.
Na região do bairro Santo Eugênio, o rapaz respira o ar da manhã, toma um sol e caminha lado ao lado do pai. Não é cena para foto. O que Deir faz diante da lente da câmera ele também faz quando não se tem plateia: carinho ao filho.
Nos olhos e na voz, ele descreve o medo que tem, de quantos aniversários ainda pode ter pela frente. “Tenho medo de dar algum problema em mim, quem vai ficar com ele?” No soprar das velinhas e no corte do primeiro pedaço de bolo, os desejos vem do pai, para que ele tenha mais anos de vida junto do filho.
O que lhe falta? Deir podia discorrer horas sobre uma lista de necessidades, mas não, se restringe a dizer sobre o atendimento multidisciplinar ao filho. “Aquele atendimento eu ainda não consegui. É um local que tenha psicólogo, assistente social, fonoaudiólogo, nutricionista. Aqui em Campo Grande só tem ONG que oferece e o Marquinho já tem 29 anos”.
A saúde do autista está melhor, o quadro é considerado estável, por ora. “A partir do momento em que você aceita, você enxerga as perspectivas, se sente melhor, mais feliz, embora ainda sofra muito”, resume o pai. E que venham muitos anos de vida junto do filho.