quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Nossas Férias...

Depois de escrever sobre a "intolerância às férias", finalmente o tão esperado encontro com o mar aconteceu!
Sinto verdadeira exaustão (risos)! Mas uma exaustão boa de dever cumprido!
O fato é que a ansiedade em que o Ângelo estava vivendo diante da pausa de suas atividades e a diminuição de atenção  em função da saúde do pai nos colocou em verdadeiro "cabo de guerra" com o autismo. Víamos os sintomas aumentando e levando embora conquistas preciosas do nosso filho. Então, agarramos com todas as forças a outra ponta.
Ângelo ama o mar! Sabem aquela reação de toda criança quando ganha o brinquedo que mais desejava na vida? É o Ângelo quando vê o mar, quando entra no mar e todo tempo em que permanece dentro do mar. Aquela felicidade é interminável, com incansáveis gritinhos de " hi hi hi".
Diante desta energia inesgotável do nosso filho, Fabrício e eu nos revesávamos para que o Ângelo saciasse sua vontade e permanecesse feliz! Chegamos a ficar oito horas direto na praia. Estávamos lá independente de ser sol ou chuva, dia ou noite. 
A mana como sempre, preciosa e valiosa, oferecia espontaneamente todo seu apoio. Que privilégio ter uma menina como ela somando força! Todos juntos!
Neste clima comemoramos muitas vitórias! Ângelo conquistou sua privacidade para escovar os dentes sozinho e respeitava a medida certa de pasta de dente. Inclusive, nos entregou um dente de leite dos fundos, aqueles grandes, que se arrancou sozinho.
Tudo bem não ter hora para nada... Explorar a trilha da Guarda do Embaú, mesmo usando chinelos de dedo, seu tipo de calçado mais odiado... Podíamos ir na Praia do Sonho, Ponta do Papagaio, Pinheira ou outra qualquer... Mar é mar, lindo e desejado em qualquer lugar!
As respostas do Ângelo para o que conversássemos era imediata, independente de estarmos falando com ele ou não, ele fazia questão da sua forma, responder. Quando voltávamos para casa perto das 21h. perguntei ao pai dele onde estava o carro e o Ângelo apontou o caminho. Ah, se todos soubessem o valor de ver um filho apontando o caminho...
Nosso menino adorou a casa! Subia ao mezanino com a Sandy e ficava nos observando... A casa tinha cascalhinhos em volta e o barulho de pisar é atrativo, mas não tanto como encher as mãos e espalhar pela área. Porém, uma vez cascalhos espalhados, ele mesmo pegava a vassoura e deixava tudo organizado depois de brincar.
O Ângelo não aceitava a casa durante à noite... Protestou todas as noites para não adormecer lá... Fabrício e eu até brincamos que o ideal seria uma casa em cima de um barco (risos).
Na última noite, Ângelo se negava entrar na casa... Entrou no carro e se colocou o sinto de segurança. Comunicação extremamente clara que ele queria sair de lá. Quando percebeu que não iríamos, ele se soltou do sinto e ligou o carro. Que susto! Como ele tinha essa consciência de onde ligava o
carro? Quando fui até ele, percebi que estava ouvindo música. Ele havia sintonizado em uma rádio e para minha surpresa, era música gospel. Ninguém aqui em casa ouve música gospel, onde ele aprendeu a gostar? Quando fui conversar com ele, ergueu o volume da rádio.... Então parei para prestar atenção no que ouvia e a música se tratava de alguém que desejava ser ouvido e pedia por um milagre...
Carregamos o carro durante a madrugada, perguntei se alguém havia pego o tablet e mais uma vez, Ângelo responde prontamente erguendo seu braço com tablet na mão. 
O que pude ter certeza dentro de mim, é que não importa o desafio que o autismo possa nos trazer, estarei sempre segurando a outra ponta. Pode ser que conseguimos acertar ou não, é um caminho cheio de desafios, mas estaremos sempre em busca de fazer o nosso melhor.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Uespi promove curso para alunos junto a crianças com autismo

Com mais de 10 anos de experiência em trabalhos com crianças do espectro autista, a equipe formada pelos psicólogos Daniele Fonseca, Danilo de Sá e Kelves Sampaio agora capacitará professores matriculados no Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, o PARFOR, da Universidade Estadual do Piauí - Uespi.  As primeiras aulas do curso terão início em março deste ano e seguirão até junho.
O Curso de Orientações Pedagógicas em ABA para Manejo com Alunos Autistas em Sala de Aula. O método ABA, em inglês Applied Behavior Analysis, consiste na análise do comportamento para a construção de técnicas de ensino que facilitem o aprendizado de crianças com autismo, seja ele leve ou mais severo.
“Vamos capacitar profissionais para que possam lidar melhor com crianças autistas que encontrarem em salas de aula, como adaptar tarefas, por exemplo. O índice de alunos com algum grau de autismo é muito alto”, comenta Daniele Fonseca.
Pesquisas realizadas pelo Hospital das Clínicas de São Paulo estimam que cerca de 90% das crianças com autismo, no Brasil, não são corretamente diagnosticadas. Isso dificulta o auxílio em seu processo de aprendizagem e desenvolvimento. Por isso a grande importância na capacitação de professores para reconhecer e auxiliar não apenas os alunos, mas a família destes também.
Inicialmente, o curso contemplará 100 professores do Programa nos municípios de Corrente e Parnaíba. “Para o segundo semestre de 2015 já prevemos uma expansão para outras cidades do estado, vamos divulgar assim que tudo estiver definido”, adiantou o coordenador do PARFOR/UESPI, Prof. Raimundo Dutra.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Agradecimento



Esta frase encontrei no perfil de uma amiga que estimo muito. Ela fotografou o muro muro que foi pintado entre o Prédio da FACED (Faculdade de Educação) e o Bar do Antônio no Campus Centro da UFRGS

" São as desigualdades que devem ser combatidas e não as diferenças, essas só nos enriquecem."

Através dela, estamos aqui para agradecer o apoio de todos! As mensagens, o carinho e a torcida!Gostaríamos que soubessem o quanto nos fortalecem!
Nossa página no face está com 10.000 seguidores e estamos muito felizes!

 Muito obrigada!

https://www.facebook.com/pratpedagogica


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Nicholas Winton, o herói anônimo

Que cada um de nós possa ousar em fazer o que todos julgam impossível e tenham consciência do quanto podem representar...


Reabilitação e Acessibilidade para deficientes físicos e neuro motores

Nesta matéria, próximo aos 32 min. deste vídeo, Ângelo aparece em uma sessão de equoterapia!
O programa revela a verdade "nua e crua" sobre inclusão e acessibilidade em nosso Estado e o que está sendo feito pela ciência para reabilitar as pessoas com deficiências físicas e neuro motoras.
Participam 17 pessoas, entre médicos, fisioterapeutas, comerciante de aparelhos para acessibilidade e pacientes.


Ângelo faz diferenciação!

Olhem o Ângelo separando animais, carros e seres humanos em uma atividade com a prof. AEE Mara Rossatto!
É uma paixão!

video

Use o cinto de segurança


 




Olá amigos!
Venho compartilhar um grande exemplo de superação!
O livro está disponível na pág.: https://www.facebook.com/rafaelmedeirosoficial

Escola, Inclusão e Internet

Em muitos fóruns e até mesmo em cursos, houve professores que questionaram a presença de crianças com deficiência na escola. Já ouvi coisas do tipo:
  •  " Por que colocar essas crianças na escola se nunca aprenderão nada?"
  •  " Coitados dos cadeirantes vendo os outros andar."
  •  " Entendo que a família desejou e esperou esta criança, mas querer que ela seja "normal" é um pouco demais."
  • " Um cego precisa apenas aprender a andar na rua, o que não vai acontecer nos espaços de uma escola." 
Sim, já ouvi muitas besteiras.... Mas a minha esperança, até mesmo por encontrar estas pessoas nestes ambientes (cursos, fóruns, palestras) é de estarem procurando algum tipo de apoio. Seja para qualificar seu trabalho ou se posicionar contra a inclusão e torço para ser a primeira hipótese.
Sempre me posicionei a favor da inclusão, embora não como substituição do atendimento especializado, pois até mesmo as crianças típicas por vezes necessitam do apoio de outro profissional para alcançar o desempenho desejado. Não há coerência em retirar o apoio multiprofissional das crianças que enfrentam limitações por estarem frequentando uma escola regular. 
Há grandes benefícios alcançados pela inclusão quando encontramos profissionais comprometidos! Há benefícios para as crianças típicas que entendem limitações das quais não vivem e estudos comprovam que se tornam adultos mais bondosos, determinados e tolerantes. E claro, benefícios para as pessoas com deficiência, que passam a "copiar" as outras crianças e absorvem melhor as regras sociais. E sim, TODOS PODEM APRENDER ALGO! Somando isso, o benefício é  para a sociedade de forma geral, diante de futuros adultos (engenheiros, médicos, secretárias, vendedores....) que lidarão com as diferenças de forma natural, compreendendo as limitações e lembrarão das adaptações que a sociedade necessita (como rampas, por exemplo).
Estamos em uma era de mudanças significativas na educação e se fecharmos os portões para as pessoas diferentes e não compreendermos a importância social que a escola representa, podemos lacrar os portões, pois a inclusão é para todos, somos todos diferentes. Se jogarmos fora, a responsabilidade social de uma escola e mantê-la apenas como transmissora de conteúdos, nos dias de hoje a internet já o  faz e de forma muito mais atraente! Através da internet temos acesso à artigos, livros, vídeos, imagens, troca de mensagens e  podemos  visitar  municípios, estados ou países de forma virtual. É uma ferramenta fascinante! Deve ser usada com cautela, mas não ignorada.
Precisamos  inovar, ousar e ter o compromisso de tornar cada individuo uma pessoa melhor para a sociedade. Temos o compromisso de acompanhar as mudanças que ocorrem, nos atualizar.
A educação é uma formação contínua tanto para quem aprende, quanto para quem ensina.
Embora o vídeo não fale exatamente sobre inclusão, ele resume a educação e a necessidade de estar sempre em busca de  atualização frente a esse compromisso social.






Conversando sobre Autismo - UCS



Olá queridos amigos! Venho compartilhar com vocês as fotos de uma palestra que fiz na UCS sobre autismo na semana acadêmica de psicologia. Fui convidada pelas alunas de psicologia Gabrielli Rocha e Luani Paim, as quais sentiram interesse em levar o tema à sociedade.
Como todos sabem, tenho dois lindos e adoráveis filhos e o meu caçula Ângelo me trouxe esse desafio especial: conhecer o autismo.
O autismo é um distúrbio abrangente que afeta a comunicação social e o comportamento. Ele pode acontecer em qualquer família e é mais frequente em meninos do que em meninas.
Apesar de ter graduação e duas pós-graduações, precisei procurar cursos específicos e direcionados ao autismo, pois ainda encontramos carência de informação atualizada nos cursos de formação. Enquanto poucos procuram conhecer, outros tantos estão presos em conceitos antigos nas universidades.
Sei que muitos profissionais defendem a idéia de que as crianças não perdem habilidades e sim os pais não percebem as características do autismo em crianças muito pequenas. Diante da experiência de antes ter sido mãe de uma criança típica, posso afirmar que meu filho apresentou regressão a partir de um ano e meio após uma febre. O filho de uma amiga próxima, se desenvolveu como uma criança típica até os 6 anos e depois de crises convulsivas, perdeu habilidades. E uma infinita lista de pais que perceberam sim, regressão do comportamento em seus filhos. Porém, há aqueles que acionam o sinal de alerta ainda quando bebês: mamam sem olhar para mãe, são muito quiétinho, não choram quando estão com a fralda suja, não estranham as pessoas que não são do seu convívio ou preferem o berço do que o colo da mãe. Esses sinais não definem um diagnóstico, mas pode-se iniciar uma intervenção.
Além de inúmeros cursos, frequento grupos de estudos desde a fase em que ele regrediu. Os grupos são formados por pais e profissionais e alguns acontecem de forma virtual. Porém, não existe formação maior do que o dia a dia, sentir na pele, aprender diante da experiência e do amor. Muito amor.
Engana-se quem lê sobre autismo, convive com uma pessoa com autismo e julga-se entendedor da síndrome.  Apesar das mesmas dificuldades, as pessoas a vivenciam de forma diferente. Existe um indivíduo com preferências, sonhos, desejos, humor antes de olharmos o diagnóstico.
Algumas pessoas com autismo são capazes de viver de modo relativamente independente, mas a maioria precisará de apoio especializado para o resto da vida.
Acreditamos que a informação seja a nossa maior arma para acabar com o preconceito e promover a verdadeira inclusão na sociedade. Afinal, ser diferente é ser normal, ser indiferente que não é.
Contamos sempre com o apoio daqueles que verdadeiramente estão dispostos a acrescentar na vida do próximo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Atividade do Ângelo

Esta é uma atividade criada para o Ângelo e ela possui amplas possibilidades a ser explorada...
Em primeiro momento, criamos as vogais com fita durex colorida em folhas de papel desenho dividas ao meio. Em seguida, o Ângelo escolheu a cor da tinta que desejava utilizar e preencheu todos os cartões das vogais utilizando um rolinho. Escolhi um rolinho por saber que ele não teria paciência para preencher os espaços utilizando outro material.


 Assim que a tinta secou, exploramos o movimento de pinça retirando o durex colorido dos nossos cartões das vogais.


Infelizmente, esta foto saiu embaçada, mas é possível perceber a finalidade final da nossa atividade: a escrita.
Embora ainda seja difícil e mãozinha trêmula, Ângelo contornou todas as vogais dos cartões respeitando para não ultrapassar os espaços.
Estou muito orgulhosa deste menino! Ele luta e luta muito para superar suas dificuldades!